quinta-feira, 29 de março de 2012

          -Não!

          Sim, eu sabia que estava mentindo. A resposta não era bem aquela. Se fosse honesta comigo mesma deveria responder que sim, que eu havia feito aquilo, que não tinha pensado nas consequências, que havia me equivocado. E então o pediria desculpas. Não pude. O medo de perdê-lo era grande. Sabia que estava encrencada se dissesse a verdade. Eu o amava. Perdê-lo não era uma hipótese. Como poderia viver sem aquele ordinário? Sabia que havia cometido erros e aquele realmente fora mais um deles. Mas quem não erra?

          E ele acreditara. Como pôde? Deveria estar triste ou feliz? Sabia que há tempo ele hão era o mesmo do início do casamento. Todo aquele fervor havia acabado anos após, quando descobrira que era estéril, que de dentro de si não poderia sair vida. Fora a decepção maior. Sua linhagem acabara ali. E não havia mais nada a ser feito. Mas como pôde ele acreditar tão facilmente num simples não? Não lera nos seus olhos a mentira? Os olhos não mentem. Teria se tornado uma atriz tão boa assim que até seus olhos enganavam?

          Mas ainda o amava. Seu coração batia por aquele homem. E ainda que nunca mais a amasse como no começo do relacionamento, ela o amaria para sempre. Sentia ser de outras vidas todo aquele amor. Era cega por ele. Manteria o juramento que fizera no altar naquele fim de tarde de outono para sempre -ou pelo menos enquanto ele ainda a quisesse- por perto. Para sempre... Até o sempre ter um fim.

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